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Sem chuvas, Cantareira perdeu volume em 90% dos dias do ano

O nível do Sistema Cantareira acumulou quedas em 165 dias no primeiro semestre. O número significa que em 90% dos 181 dias do período o Cantareira entregou para a população mais água do que recebeu das chuvas. O conjunto de represas abastece 9 milhões de pessoas na Grande São Paulo.

Nestes seis primeiros meses do ano, choveu 494,4 milímetros – 56,5% do índice previsto segundo a média histórica, que era de 875,1 milímetros. Os dados são da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp).

A sequência de quedas é causada, principalmente, pela estiagem. Na quarta-feira (2), o comitê que acompanha a crise no Cantareira decidiu que a Sabesp deve fazer nova redução no volume de água retirada dos reservatórios do sistema.

A Sabesp previa usar 20,9 metros cúbicos por segundo no mês de julho. Porém, o Grupo Técnico de Assessoramento para Gestão do Sistema Cantareira (GTAG) recomendou à Agencia Nacional de Águas (ANA) e ao Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE) que estabeleçam como meta o uso de 19,7 metros cúbicos por segundo na primeira quinzena do mês. Depois disso, a situação será reavaliada.

Nesta semana a Sabesp anunciou nova medida para auxiliar, indiretamente, parte da população que depende do Cantareira. O Sistema Rio Grande terá 500 litros por segundo destinados ao Sistema Alto Tietê, que já abastece parte da população que dependia do Cantareira.

Volume morto e campanhas
Após descartar o racionamento como solução, a Sabesp realizou obras para captar o chamado volume morto – reserva técnica que fica abaixo do nível das comportas. Essa água começou a ser retirada com a ajuda de bombas flutuantes em 16 de maio. Com a entrada de 182,5 bilhões de litros de água dessa reserva, o volume do sistema saltou de 8,2% para 26,7%. Em 30 de junho, o percentual chegou a 20,6%.

Nesta quinta-feira (3), o sistema atingiu pela primeira vez o total acumulado de 20% após o início do uso do volume morto. Se o uso do "fundo das represas" não entrasse na conta, o nível seria de 1,5% da capacidade.

No primeiro semestre, fevereiro foi o mês do ano com o maior total de pontos percentuais perdidos de água: 5,5 (veja tabela ao lado).

Apenas em seis dias nos seis primeiros meses do ano o nível do Cantareira subiu. Quatro deles foram em março, quando choveu 193,5 mm (9,4 mm a mais do que o esperado, que era 184,1 mm). Este foi o único mês em que o volume de precipitação superou o aguardado.

Queda constante em junho
Apesar de fevereiro ter sido o mês em que mais o Sistema Cantareira perdeu água, junho foi um dos mais críticos para o sistema.

Além de já ter todas as medidas antirracionamento aplicadas - parte da população abastecida por outros sistemaspolítica de descontosredução na vazão - e uma temperatura média 6,8º C menor do que em fevereiro,  o mês de junho teve queda constante no nível de água e não apresentou recuperação em nenhum dia. Foram perdidos 4,2 pontos percentuais, uma média de 0,14 por dia.

A crise se agravou pela baixa quantidade de chuvas na região. Bem abaixo da média de 56 milímetros, choveu apenas 15,9 milímetros durante todo o mês.

Em julho, mês de inverno e também com previsão de poucas chuvas, a crise deve continuar se agravando. Até agora ainda não choveu na região dos reservatórios durante os primeiros dias do mês.

Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia, que também forneceu as temperaturas médias mensais de 2014, a previsão para julho é de poucas chuvas na região dos reservatórios.

Menos água em julho
Nesta quarta-feira (3), o comitê que acompanha a crise no Cantareira decidiu que a Sabesp deve retirar menos água dos reservatórios do Sistema. A pretensão da empresa era de usar 20,9 metros cúbicos por segundo no mês de julho. Porém, o comitê recomendou à Agencia Nacional de Águas (ANA) e ao Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE) que estabeleçam como meta o uso de 19,7 metros cúbicos por segundo na primeira quinzena do mês. Depois disso, a situação será reavaliada

Para dar esse número, o comitê considerou um cenário com entrada de água no Sistema de 50% da mínima histórica mensal. Em junho, por exemplo, entrou apenas 46% da mínima histórica registrada no mês desde 1930. A Sabesp informou, por meio de nota, que as metas estabelecidas pela ANA e pelo DAEE são suficientes para garantir o abastecimento.

Nível acumulado de água no Sistema Cantareira, que abastece a população da Grande São Paulo, chegou a 8,4%, segundo medição divulgada pela Sabesp na quarta-feira (14). Na imagem, reservatório na região de Joanópolis.  (Foto: Denny Cesare/ Estadão Conteúdo)

 


 

Fonte: Globo.com

Postada em: 03/07/2014

 

 

 

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